domingo, 12 de junho de 2011
Hoje eu sonhei que estava em uma casa antiga e enorme, pilares no estilo grego e coisas assim, me vesti com uma longa camisola branca e fui dormir. Neste sonho eu acordava sem enxergar, eu sentia que meu corpo estava todo molhado, mas eu não sabia ao certo do que. Escorria pelos meus braços e pelas minhas pernas. Eu não conseguia levantar da cama, sentia o seu hálito quente perto da minha boca e um objeto gelado passando do meu queixo até o fim do meu pescoço, parecia metal. Então você me levantava e eu passava a enxergar, eu estava sangrando e não sabia daonde vinha, minha camisola branca estava tingida de vermelho, você estava com pingos e manchas de sangue nas mangas e por toda extensão do seu terno. Eu só ouvia aquela música tocando no rádio "Let it never be said, that romance is dead (...)". Você me beijava e depois ria, gargalhava. Eu passei a sentir o meu corpo fervendo por dentro quando você passou a sua mão pelo meu corpo ensanguentado e com seu indicador pintou os meus lábios de vermelho. Tirou os cabelos que tapavam meus olhos e disse que eu estava linda. Eu não entendia nada. A música ficava cada vez mais alta e quase me ensurdecia, eu tentava gritar e ninguém respondia. O cheiro que exalava de mim quase me dasmaiava, era o seu perfume doce impregnado no meu sangue. Meus lençõis brancos tinham uma enorme mancha de sangue. Você me puxou para dançar, e quando chegava perto de mim eu não conseguia respirar. Seu cabelo castanho dourado me cegava e eu pedia socorro. Eu não entendia o que você falava, você ficava cada vez mais branco, suas mãos tremiam e eram de um roxo esverdeado.
Você gargalhava e nos seus olhos refletiam fogo. Eu não enxergava absolutamente nada, não conseguia respirar, você começou a tirar algumas peças do seu terno até ficar só de calça e gravata. De repente suas gargalhadas ficaram mais altas do que a música, você jogava as roupas que havia tirado em cima de mim e eu sentia aquele cheiro adocicado e sufocante. Você pegou uma garrafa cheia, e jogou o que havia dentro em cima de mim, acendeu um cigarro, deu duas tragadas e jogou em minha camisola. Tudo se perdeu em chamas, chamas que refletiam o seu rosto, tudo queimando, menos você. Eu estava partindo sem sentir nada exceto aquele cheiro doce.
Acordei suando muito em minha cama, fui tomar um copo de água. No caminho do quarto até a cozinha escorreguei em um liquido pegajoso, entrei na cozinha e lá estava você: Uma poça de sangue ao redor de seu corpo, pingos vermelhos por todo o chão branco, seu peito estava aberto, como eu estava em meu sonho, eu sentia o cheiro aquele cheiro doce novamente, no lugar do coração você tinha um buraco. Derrubei o copo de água no chão, e quando me abaixei para pega-lo fui interrompida justamente pela faca embaixo da minha roupa que escorregou e caiu em meu pé.
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